Nenhum pente me penteia: crônica

Por Helô Righetto

Eu parei de odiar a “rebeldia” do meu cabelo há pouco tempo.

Confesso que ainda tento domá-lo com várias fivelas e cremes, e acho ótimo quando faz um frio tão intenso que é preciso usar gorro, dessa forma não preciso me preocupar com o frizz e as voltinhas esquisitas que ele dá perto das orelhas e da testa. O rebeldia lá em cima não está entre aspas por acaso.

Afinal, por que um cabelo que não é igual o da Barbie ou da Gisele ou da blogueira do momento é considerado rebelde?

Apesar de hoje eu estar muito mais em paz com as madeixas do que durante minha adolescência e meus 20 anos (obrigada revista Capricho por derrubar minha auto estima por anos a fio!), eu não sou “a” desconstruída da beleza. Como toda mulher, eu consigo listar um monte de coisas no meu corpo que não gosto. Por exemplo, eu não uso blusa regata. Ou sapato que mostre os dedos.

Não é fácil desconstruir o que passei uma vida aprendendo. Mas tenho feito progressos.

Recentemente, porém, sofri um golpe doído: recebi uma mensagem de uma pessoa que me segue no Instagram e no Snapchat, falando que eu deveria me cuidar mais, pentear meu cabelo.

“Se cuida um pouquinho, o marido vai gostar! Você é muito linda para ficar tão descabelada como você aparece.”

Olhei para a mensagem no celular por muito tempo antes de fazer qualquer coisa. Senti minhas mãos tremendo. Não sei se era de raiva ou de tristeza ou de decepção. Ou tudo acumulado. A sensação de que tudo que eu conquistei, todos os meus sucessos, não são suficientes se eu não apareço “bem apessoada”. Meu cabelo bagunçado não condiz com a minha inteligência, então é claro que a minha inteligência não vale nada.

O nosso olhar está tão domesticado, o muro do corpo ideal está tão alto ao nosso redor, que achamos razoável expressar esse tipo de pensamento.

E o pior: o fazemos com a certeza de que estamos ajudando. Afinal, se eu não falar para uma mulher que ela deve se conformar com os padrões de beleza, quem vai? Estou fazendo uma boa ação, certo?
Ninguém é completamente livre de preconceitos. Eu sou uma feminista ativista e ainda assim continuo lutando contra machismos enraizados na minha vida. Eu não condeno ninguém que busque alcançar os inatingíveis padrões de beleza que nos são impostos, mas eu quero sim conscientizar as mulheres da razão dessa busca. Não busco aplausos por não usar batom ou por não fazer as unhas. O que eu quero é poder tocar a minha vida sem achar que a maneira que arrumo meus cabelos é um fator que vai me prejudicar.

Eu quero poder lidar com as minhas inseguranças sem que outros me apontem elas.

Descabelada demais, gorda demais, magra demais, maquiada demais, envelhecida demais, acabada demais, “botocada” demais. Cansei!


Já joguei o pente lá na fogueira dos sutiãs. Alguém me acompanha?

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Franja: uma relação de amor e ódio

Por Alline da Costa

Uma coisa que não me assusta muito é mudar o corte de cabelo. Ao longo dos meus 32 anos já tive muitos cortes diferentes, uns que gostei muito, os que não gostei tanto, os que me deram muito trabalho para cuidar e outros que eram só lavar o cabelo e pronto. Também já fui ruiva, louraça belzebu e morena.

Mas nada eu amei e odiei, na mesma proporção, do que ter cortado a franja.

Usei franja quando criança, durante a adolescência – de novo porque tinha complexo com a minha testa grande (na vida adulta, graças a Deus, isso passou) – e mais uma vez, agora, depois dos 30.

franja_cabelo_coletivo_tropical
Foto: Slogan1969

Esses dias eu escutei que a moda do verão 2016/17 é a franja. E pensei comigo: “A pessoa que colocou franja como moda no verão não deve ter uma.” Essa é a pior época para decidir por esse corte. Acreditem, faz muito calor ali em baixo! Você vai suar e sua franja vai ficar nojentinha e sem forma.

Vai por mim, espera chegar maio/junho.

Decidi cortar a minha, há mais ou menos um ano atrás, em março. Fazia um calor insuportável aqui no Rio e, por mais que o rabo de cavalo tenha ficado mais fofo, minha franjinha testou muito a minha paciência.

Você vai precisar lavar/molhar e secar a franja quando for sair para o trabalho por exemplo – mesmo que não lave o cabelo todos os dias.

Agora imagina, um calor de 40 graus e você com o secador de cabelos ligado (no quente porque no frio não vai modelar) em cima do seu rosto!?

Meu cabelo é liso e mesmo assim minha franjinha acorda meio “Quem vai ficar com Mary”. E se você tem o cabelo ondulado, cacheado ou crespo vai precisar fazer uma escovinha na franja.

Cameron Diaz em Quem vai ficar com Mary
Foto © 1998 Twentieth Century Fox
Outro detalhe, a franja tem “vida própria” e é temperamental!

Vai ter dias que ela não vai querer fazer o que você quer. Para esses dias, eu conto com aliados muito poderosos (risos): os grampos de cabelo. Faço uma voltinha na franja e prendo na lateral da cabeça. Pode ser qualquer grampo; comum, decorado. Tenha sempre um por perto. 😉

E como a gente aprende errando, procure um profissional, ele sabe o que está fazendo e tem os instrumentos necessários e adequados para o serviço. Eu procurei pelo meu amigo e cabelereiro, e ele fez um corte lindo, amei. Mas aí resolvi cortar de novo. Ele estava sem horário, peguei minha tesoura e cortei eu mesma. Cortei mais cabelo do que deveria, e a franja também acabou ficando torta.

Mas, mesmo depois disso tudo, eu adoro a minha franja, sempre a deixo crescer durante o verão para cortar novamente quando a temperatura estiver mais amena. Fica muito mais fácil mudar o visual com a franja, pois você pode prendê-la ou colocar para o lado; com um rabo de cavalo ou coque, ela também fica mais fofa.

Enfim, vai dar um certo trabalhinho, você vai se irritar de vez em quando, mas depois vocês se entendem e vivem felizes para sempre.