Bem-vindos à Era do Compartilhamento

Por Carla Caldas

Sábado acordei cedo e caminhei até o supermercado. O pão fresquinho de lá é imbatível, sempre crocante e quentinho. Também não resisto ao cheiro de pão de queijo e do bolo de cenoura recém-saídos do forno. Peguei outros itens típicos de um café da manhã caprichado de final de semana: mamão, frios, leite e água de coco. Coloquei tudo na sacola retornável, paguei a conta e voltei para arrumar as delícias na mesa.

Meu marido já estava na cozinha adiantando a organização, pois tínhamos hóspedes, um simpático casal, que mora nos USA e veio passar uma semana no Brasil, e queríamos demonstrar com carinho nossa hospitalidade.

Até aqui tudo bem, típica cena de uma família que recebe conhecidos em casa.

A única diferença estava na forma como chegaram ao nosso apartamento: através de um site de locação de cômodos em residências. Sim, estávamos alugando nosso quarto e obtendo uma “graninha extra”, usando a expressão do próprio site.

Ou seja, estamos vivenciando a nova era da Economia Compartilhada, que prega que tudo que você detém pode ser dividido com alguém que precisa e está disposto a pagar. O princípio básico é que aquilo que precisamos não é um CD e sim a música que toca nele, é um buraco na parede e não uma furadeira, e se aplica a praticamente qualquer item.

Ou seja, uma mudança de pensamento que valoriza o benefício que o bem oferece e não necessariamente a posse dele. Uma boa reflexão!

Hoje podemos encontrar sites onde é possível vender ou alugar qualquer coisa. De furadeira a helicóptero, nada precisa ficar parado e ocioso.

economia compartilhada 2

Assim, se temos um quarto vazio em nossa casa podemos simplesmente anunciar e disponibilizar. É o conceito de pensão ganhando nova roupagem com a ajuda da tecnologia, pois agora temos a possibilidade de oferecer o espaço para pessoas que estão em qualquer lugar do planeta.

Ficar em residências de famílias, passa a ser uma alternativa para nossas viagens. Pode ser mais econômico e também uma forma autêntica de vivenciar os costumes de uma cidade, estar próximo de moradores e conhecer ambientes mais acolhedores que hotéis.

Nosso primeiro contato com esse tipo de hospedagem foi em 2015 em Londres, através do mesmo site, em um apartamento onde morava um casal, ele engenheiro e ela dentista. Uma área tipicamente residencial, um pouco afastada da região mais turística, porém com fácil acesso ao transporte público: metrô, estações de bicicletas e ônibus.

O contato com o dono da casa começou bem antes da nossa chegada, pois trocamos mensagens com dicas sobre como sair do aeroporto, sugestões de passeios e até a escolha de um lanche que nos aguardou na geladeira.

Durante nossa estadia compartilhamos alguns  momentos com os proprietários, mas o mais legal foi vivenciar essa sensação de morador, caminhar pelas ruas residenciais, fazer compras no mercadinho da esquina. Na casa tínhamos acesso a um terraço pequeno para finalizar o dia sentido o clima de Londres e tomando um vinho.

Gostamos da experiência e na volta ao Brasil decidimos oferecer um quarto para aluguel.

Demoramos a iniciar, pois, marinheiros de primeira, na utilização do site, criamos o anúncio e não ativamos sua visualização. Ajustes feitos, começamos a receber nossos primeiros contatos para perguntas de esclarecimento. Depois, o pedido de reserva é efetuado e você, como anfitrião, aprova ou não a solicitação.

Aprovar? Baseado em que? Aqui entra mais uma novidade da Era do Compartilhamento: as avaliações.

Diferente de tempos passados, onde apenas quem prestava um serviço era analisado, aqui o contratante também tem sua qualificação exposta na rede. Portanto, é muito fácil conhecer o perfil e saber se ele foi uma pessoa legal, educada e organizada nas passagens anteriores.

Receber o primeiro pedido de reserva também é desafiador, afinal seu futuro hóspede ainda não terá uma depoimento disponível, no site, para leitura.

Ou seja, nunca nossa reputação e comportamento foram tão importantes, pois agora são divulgados nos sites.

Rompida essa barreira, recebemos nossos primeiros visitantes, duas amigas do interior de Minas Gerais que vieram a São Paulo por duas noites em busca do visto americano. E lá estávamos nós, nervosos para receber e agradar duas pessoas que sequer conhecíamos. Quem poderia imaginar? Quarto limpo e organizado, chocolates de boas vindas, duas páginas de dicas da região e orientações gerais sobre a casa escritas e impressas. As hóspedes eram alegres e comunicativas, a experiência foi ótima e ao final recebemos nossa primeira avaliação no site.

Os relatos positivos deixados por elas abriram caminho para próximos visitantes de diferentes origens e com os quais compartilhamos histórias em bate papos divertidos.

Muitos amigos questionam sobre como é receber desconhecidos em nossa própria casa, o quanto isso afeta a rotina ou se não temos receio e tememos pela segurança.

Confesso que no começo a ideia parecia estranha e inusitada, mas decidimos arriscar de coração aberto. O processo do site ajuda bastante a reduzir a sensação de insegurança e aos poucos fomos entendendo melhor o funcionamento e nos sentindo bem seguros. Hoje tudo passou a ser comum e abrimos nossa casa sem receio, porém com cautela na aceitação dos pedidos. E mais importante que a renda extra são as histórias e os momentos que vivenciamos com todos que passam aqui.

Com nosso último hóspede aprendemos um pouco sobre plantas medicinais e como ele administra um canal on line sobre o tema.

Ao sair deixou um bilhetinho carinhoso, que está indo para o nosso mural simbolizando as lembranças positivas de pessoas reais que passam em nossas vidas, mesmo que trazidas por formas impessoais como a internet:

“ Foi uma ótima experiência.

Obrigada pelo carinho e atenção com o qual me acolheram.

Sou muito grato por tê-los conhecido.

Grande Abraço.” –  Hóspede

Anúncios

Um lugar à janela de Lisboa

Um conto por Lu Moreda

Eu estava de férias com outros colegas de minha idade, alguns com mais acessórios para a locomoção do que eu. Havíamos chegado a Lisboa há dois dias e hoje, embarcávamos todos para uma excursão ao Santuário de Fátima. A ansiedade das mulheres era tanta que a fila para a entrada no ônibus iniciou 20 minutos antes do horário combinado.

Enquanto parte do grupo fumava, após o café da manhã, eu aproveitei para entrar na fila e conseguir um lugar a janela.

Verdade seja dita, conseguir sentar à janela é uma das poucas vantagens de ser ex-fumante em excursão. Eu não me lembrava há quanto tempo eu havia parado de fumar . Nunca gostei de contar esse tempo, por ser um tempo de privação ao meu prazer.

Por favor, não me julgue. Sou de uma outra época… daquela que Coca-Cola cura dor de barriga e Marlboro desperta poder e sedução. Como eu seduzi… Agora, o que me resta é aproveitar a minha pensão viajando com pessoas que não conheço e recontar a minha história da forma que eu bem quiser.

Pronto! Entrei. Que lado que eu escolho? Direita, esquerda, direita, esquerda… Bem, vou de esquerda porque eu sempre me identifiquei mais nessa corrente. Assento escolhido e na janela. Espero que este lado tenha a melhor vista durante a viagem. Quero ver muitos campos de oliveira. Lembro de tê-las visto 20 anos atrás… Mas acho que ainda consigo reconhecê-las.

Outro dia contei a um amigo sobre a viagem que fiz a Amsterdão e minha frustração de sentar do lado errado no barquinho, aquele que faz uma voltinha na cidade pelos canais. Sabe o que é TUDO acontecer do lado oposto ao que eu estava sentada? Pois. Todos os monumentos, ruas importantes, projetos arquitetônicos inovadores eram do lado esquerdo. E eu estava onde? No direito! Não consegui tirar uma foto sem um bando de cabeças na frente.

Eu sinto que dessa vez eu escolhi bem. Aqui terei a vista privilegiada e verei os lindos campos de oliveira na estrada.

Ah, que meninas bonitinhas! Parecem grandes amigas. Estão se despedindo.  Nossa, que cabelo lindo! Acho tão elegante mulher de cabelo curto, sempre achei. E o cabelo dela é volumoso, em diferentes tons de loiro, lhe cai tão bem… Tenho certeza, se Nádia fosse viva, também elogiaria. Capaz até dela cortar igual.

Nádia sempre me surpreendeu.

Já na infância trocou as madeixas longas por sua nuca  à mostra. Dispensou todas as saias pela praticidade das calças curtas.

Ela gostava de inventar moda e, para isso, usava as roupas de toda a família. Ninguém passava incólume. Seus pais e irmãos sofriam com aquele excesso de criatividade. Todavia, por mais íntimas que fôssemos, ela nunca teve coragem de pedir a mim ou à mamãe qualquer peça de nosso armário.

Nádia era impossível.

Volta e meia, Nádia aparecia em nossa casa chorando. Mamãe para acalmar seus soluços oriundos das palmadas que havia levado do pai, por ter “destruído mais uma peça dos armários de sua família, fazia bolinhos de chuva para ela.

Não pense que ela parava. Nádia era mais determinada que a teimosia. Sua audácia, bom gosto e liberdade faziam dela uma mulher de cabelos curtos linda.

Um dia, se não me falha a memória, no ano que Nádia completou 17 anos, ela apareceu no portão de casa chorando. Na mesma hora, gritei pela mamãe. Era hora de fazer os bolinhos de chuva. Possivelmente, ela havia confeccionado algum modelito com a roupa alheia.

Ainda no jardim, percebi que nunca havia visto aquela expressão em seu rosto. Diminuí o passo ao seu encontro e tentei buscar algum detalhe diferente antes de chegar ao portão.

Ela vestia sua camiseta listrada preferida, a calça de alfaiataria, customizada com as barras dobradas, do irmão caçula, o seu colar com a aliança da avó pendente e um relógio largo em seu pulso esquerdo.

Lembro de não precisar perguntar o que o relógio do pai fazia em seu pulso. Eu abri o portão e seu abraço angustiado respondeu.

O pai de Nádia falecera naquele fim de tarde.

Minha mãe completamente comovida, após saber que o contabilista do bairro faleceu de um mal súbito no coração, pegou Nádia pelas mãos e a levou para seu quarto. Ela pediu que nós sentássemos em sua cama.

Mamãe sem emitir uma palavra, conseguiu ser mais doce que seus bolinhos de chuva. Ela levantou o rosto cabisbaixo de Nádia e abriu as portas de seu guarda roupa. Com a delicadeza de sempre, mamãe ficou na ponta dos pés, esticou os braços,  pegou a caixa vermelha quadrada que estava na parte superior de seu armário e colocou sobre a cama. Ela tirou a tampa, o papel de seda e levantou o vestido acinturado, azul real de tafetá, que usou na missa dos meus 15 anos.

“Nádia, faça algo deslumbrante para você” – mamãe falou.

E, é claro que ela fez. Passado um tempo futuro, ela o fez e refez. Até o dia que ela nunca mais o desfez.

Talvez o único traço que ela jamais quis mudar ao longo dos seus 62 anos, foi o seu cabelo curto e aquele tempo, há anos congelado, do relógio herdado de seu pai.

Que bom que eu sentei na janela a tempo para continuar com ela viva em meu coração.

continua…

Mulheres que inspiram: Vivienne Westwood e seu olhar sobre arte

Por Raphaella Perlingeiro

“Vocês exteriorizam o que interiorizam. Na busca pela arte, irão descobrir a genialidade da raça humana e começarão a entender o mundo em que vivem. Isso lhe dará propósito na vida.” (Vivienne Westwood no tema ‘arte’)

Em 2011, eu assisti um documentário que me fez refletir sobre nossa relação com arte. Ele se chama “A Londres de Vivienne Westwood” (está ainda disponível na GNT Now).

O que mais me impressionou foi o olhar da estilista britânica e o valor que ela deu a nossa experiência pessoal com a arte.

Rolou uma identificação forte ali! Explico.

Vivienne Westwood é a estilista que ficou conhecida como a rainha do punk. Em Londres, é considerada como verdadeiro patrimônio da cidade. Uma mulher única, com seus cabelos de fogo e pele pálida. Ela tem uma aguda consciência política, é engajada e autora em todas suas posições e atos (valorizamos).

Loja da estilista no Chelsea de Londres (a partir de Danielfootwear.com)
Loja da estilista no Chelsea de Londres
(a partir de Danielfootwear.com)

É justamente essa mulher incrível que irá nos conduzir pelas ruas de Londres. Mas ela avisa: será uma anfitriã diferente. O objetivo dela é “encorajar as pessoas a se tornarem amantes da arte” (pronto, apaixonei!). Ela diz:

Para ela, a arte é ferramenta poderosa para nos ajudar a entender o nosso mundo, pois nos humaniza.

Diferentes tipos de arte

Westwood estabelece uma diferença entre a cultura popular, adquirida passivamente em revistas e jornais, no cotidiano e uma cultura diferente (chame de erudita ou do que quiser), que exige uma atitude ativa. É aquela que demanda o famoso ócio, que pede que a gente pare, observe, pense e construa sentido para o que enxergamos, para a vida.

Foi o momento mais genial do programa, e é o que dá sentido a lista maravilhosa de lugares que ela escolhe para visitar.

Londres entra em cena

É assim que Londres aparece no documentário. Para Westwood o diferencial da sua cidade é a arte. É o seu patrimônio artístico que a torna uma das grandes capitais culturais do mundo.

Não é genial? Agora você pergunta: como ela faz isso?

Bom, simplesmente sendo ela. Essa valorização da arte e de uma cultura mais profunda está no cerne das suas reflexões, dos seus gostos. Então, nada mais natural que assunto apareça no documentário com leveza e verdade.

Sem grandes pretensões, ela pega sua bicicleta, como todos os dias, e nos leva para conhecer a sua cidade. Nós vamos a galerias surpreendentes; ao Barbican: orquestra sinfônica; ao The Globe: teatro de shakespeariano; mercados, bairros típicos. Uma seleção sofisticada, apresentada com profundidade e descontração.

A mensagem principal

Na minha opinião, a ideia que conduz o documentário de Westwood é estimular a exposição a cultura, a arte, em especial a erudita (tão maltrada nos nossos dias). “A arte nos humaniza”. Nós precisamos dela, diariamente, para dar profundidade e refinamento a nossa existência tão efêmera.

Para ter acesso ao documentário pelo youtube, clique aqui (dublado em espanhol).

Quem assistir depois conta o que achou!
Abraços ❤

Enquanto a viagem não começa

Por Carlas Caldas

espera-no-aeroporto

“Em que momento começa realmente a viagem? […] Pois há um momento singular, identificável, uma data de nascimento evidente, um gesto signatário do começo: é quando giramos a chave na fechadura da porta de casa, quando fechamos e deixamos para trás nosso domicílio, nosso porto de matrícula. Nesse instante preciso começa a viagem propriamente dita.” Michel Onfray – Teoria da Viagem

É como essas palavras que o pensador francês Michel Onfray, começa a descrever, no seu livro Teoria da Viagem, o período que chama de “Entremeio”, o espaço de tempo entre a saída de nossa origem e a real chegada ao destino, enquanto habitamos aviões, barcos, trens e salas de embarques.

Hoje meu bate-papo convida vocês a fazer um paralelo entre viagens e a vida cotidiana.

Recentemente uma grande porta se fechou para mim e, depois de dez anos vivendo a mesma rotina, estou fazendo minhas reflexões sobre como é “Habitar o Entremeio.

“Flutuando, vagamente ligado as duas margens, num estado de ausência de peso espacial e temporal, cultural e social, o viajante penetra no entremeio como se abordasse as costas de uma ilha singular. Cada vez mais longe do seu domicílio, cada vez menos distante de sua destinação, circulando nessa zona branca,neutra…” Michel Onfray – Teoria da Viagem.

São os preparativos da minha mais nova viagem, o tão famoso momento “transição de carreira” que tanto gera angústia e questionamentos.

Segundo o consultor Roberto Ziemer: “Gerenciamento da transição é diferente de mudança. Mudança é o que acontece fora (ex: perdi o emprego). Transição é a mudança que tenho que fazer dentro de mim para me adaptar a nova realidade. Para usar esse momento como uma oportunidade de reposicionamento, tirando o melhor, é preciso entender e viver os 3 estágios da transição”:

  1. TÉRMINO – toda transição começa com um término, a chave da fechadura que gira, e é preciso entender quais são as perdas que vamos ter que viver nessa experiência. A sugestão é escrever (sim, escrever) no papel, um momento desapego: O que terminou? O que vai terminar pra mim? Quais os planos precisam ser revisitados? Quais custos precisam ser reduzidos? Que desejos e vontades devem ser abandonados?
  1. ZONA NEUTRA – o passado já foi embora mas, o futuro ainda não chegou. Momento de vazio e falta de respostas. Aqui a transformação começa a acontecer, seu novo propósito começa a ser gestado. É um vazio fértil, onde gradativamente as idéias começam a chegar na sua cabeça. É o começo de um novo caminho. Porém é necessário viver esse período sem respostas. É uma oportunidade para experimentar os inevitáveis questionamentos do entremeio de uma viagem. É o processo de deslocamento sem o qual não chegaremos ao destino final.

“Esse lugar de extraterritorialidade não parece governado por nenhuma língua, nem por tempo algum. De fato, que idioma falar quando se entra no avião? O do pais que se deixa ou o do pais de destinação? Em que lugar viajamos, quando confinados no ar? O da lei que supõe o espaço aéreo propriedade do pais sobrevoado? Que ponto do céu permite dizer que claramente que se transpôs uma fronteira?”  Michel Onfray – Teoria da Viagem.

  1. REINÍCIO é quando as coisas começam a ficar claras, é o momento em que você diz: encontrei meu novo caminho, meu propósito, agora sinto que as coisas fazem sentido de novo.

Sem muitas respostas, eu vivo e compartilho com vocês a necessidade de nos permitirmos um momento de carinho, uma pausa sem auto cobranças, enquanto caminhamos rumo a um novo futuro.

“ Entre o lugar deixado e a terra que se pisa ao chegar, trazido sobre a água, nos ares ou deslocando-se numa translação que isola do chão, o viajante descobre algumas novidades metafísicas: as alegrias da comunidade pontualmente realizada na insignificância vivida em comum, a prática da duração como um escoar assombroso, a impressão de habitar um local inteiramente produzido pela velocidade do deslocamento. É nessa espera mágica que a viagem solidamente se inicia.”  Michel Onfray – Teoria da Viagem.

Referências

Livro: Teoria da Viagem – Michael Onfray

Como Transformar Crise em Oportunidade – Roberto Ziemer

Os pubs londrinos. Ou melhor, eu e os pubs londrinos | #mulheresnobalcão

Por Helô Righetto

Eu nunca fui do bar. Não sei explicar o motivo, até porque na minha família nunca ninguém dispensou a)um copo de cerveja b)uma tarde no boteco c)qualquer razão pra manguaçar d)todas as anteriores. Eu perdi o bonde da cervejinha em uma das fases mais importantes da minha vida, a faculdade. Sabe aquele mito de que os filhinhos de mamãe e papai que vão pra universidade particular não fazem absolutamente nada, apenas bebem cerveja no boteco sujo mais próximo do campus?

Foto: Helô Righetto
Foto: Helô Righetto

Pois é verdade, mas eu era a exceção. Eu, depois da aula, ia pra casa. Eu ia pra casa, gente! Imaginem o tanto de conversa boa que eu perdi, simplesmente porque… eu não tinha aquela coisa do “vamos pro bar”. Pra vocês terem uma ideia, eu nunca tomei um porre, daqueles de passar mal. E hoje, mesmo sendo do bar (siiiiim, continue lendo esse post), eu tenho medo do porre. Eu paro de beber. Porque claro, a adolescente/adulta inciante dentro de mim não passou por isso, depois de crescida é que não vou encarar. Ah, os traumas…

Foto: Helô Righetto
Foto: Helô Righetto

Mas enfim, a luz apareceu no fim do meu túnel! E foi em 2009, quando eu me mudei para Londres (na verdade eu me mudei em dezembro de 2008, mas as primeiras semanas foram em função do caimento da ficha: ai caramba, eu moro em outro país). E Londres me apresentou aos pubs. Claro que eu já havia ouvido falar nos pubs britânicos, mas confesso que nunca me dei ao trabalho de pesquisar qual era a diferença entre um pub e um bar. Pra mim era tudo a mesma coisa: um lugar pra ir beber.

Foto: Helô Righetto
Foto: Helô Righetto

Porém, pra minha felicidade, os pubs não são apenas templos cervejeiros. São lugares onde as pessoas vão pra passar o tempo. Tomar café da manhã (sim, café da manhã), almoçar, jantar. Sozinhos, com amigos, família, esposas e maridos, amantes, que seja.

Você vai no pub encontrar alguém porque é assim que as coisas são feitas aqui. Vamos no pub? Vamos. Tem sempre um na esquina.

O ambiente é agradável, não há formalidades. Peça sua bebida, sua comida, ache sua mesa ou espere no balcão. E o melhor: há um leque imenso de bebidas além da cerveja. O que pra você pode ser algo óbvio, mas pra mim não era. Foi por causa dos pubs que eu descobri que beber com os amigos é legal. Quer coisa melhor do que pedir uma jarra de Pimm’s no verão e passar a tarde com a turma? Ou reservar uma mesa no domingo para almoçar o famoso Sunday Roast acompanhado de uma cidra de morango com limão?

Foto: Helô e um Pimm's
Foto: Helô e um Pimm’s

Então, para os pubs londrinos, mando o meu muito obrigada. Vocês sempre estão de portas abertas quando a gente não sabe muito bem o que fazer, mas sabe que não quer ficar em casa. Quando todos os restaurantes em Londres estão lotados e tudo que a gente quer é um espacinho pra bater papo. Quando começa a chover e não há nenhum museu por perto… há sempre um pub!

Foto: Helô Righetto
Foto: Helô Righetto

Cursos em lugares inspiradores – São Paulo

Por Carla Caldas

Foto: The School of Life
Foto: The School of Life

E a dica de hoje é: viajar com novas experiências de aprendizado (em endereços inspiradores)!

Selecionei seis cursos, em São Paulo, com conteúdos inspiradores e realizados em lugares cheios de charme. Uma pausa no dia-a-dia para interagir com pessoas novas e ampliar conhecimentos.

Veja nossa lista super tropical:

1 – Rooftop Yoga – para elevar o corpo e o espírito

A prática de yoga em alto de prédios, terraços e helipontos já é uma realidade em diversas cidades do mundo. Espaços abertos e vistas deslumbrantes são inspiração para elevar o espírito e vivenciar novas sensações. Momentos que inspiram um estilo de vida saudável e consciente na correria das grandes metrópoles.

A primeira edição do Rooftop Yoga Brasil acontecerá dia 01 de outubro de 2016, no Terraço do Shopping JK.

Uma manhã de atividades: técnicas de meditação e respiração, prática de posturas, música, brunch, massagens e bate-papo com nutricionista.

Yoga Escapes SP que aconteceu em um heliponto - são os mesmo idealizadores e tem conceito parecido. Encontros de experiências, yoga e bem-estar em lugares inusitados.
Yoga Escapes SP que aconteceu em um heliponto – são os mesmo idealizadores e tem conceito parecido. Encontros de experiências, yoga e bem-estar em lugares inusitados.

Onde: Terraço One, Shopping Iguatemi JK – Informações e reservas: My Yoga

2 – Photo Salon – O salão de beleza da fotografia

Um workshop sobre composição e tratamento de imagens, “curso boutique”: personalizado (12 alunos por turma) e intenso.

Os alunos aprendem como editar as imagens, tratar cor, luz e pele, montagens nos softwares Lightroom e Photoshop e como construir um moodboard de identidade visual da sua marca.

Criado pelo fotógrafo Flavio Teperman e pela designer gráfica Clara Paiva é uma vivência leve e divertida, “imersão” de um final de semana inteiro. Inclui refeições gostosas e saudáveis, mini-gifts divertidos e um retrato seu clicado pelo Flávio!

Tudo acontece na inspiradora Casa Goia, com sua arquitetura diferente e móveis de design.

Foto: Casa Goia
Foto: Casa Goia

Anote na agenda: a próxima edição será nos dias 17 e 18 de setembro.

Onde: Photo Salon – R. Cônego Eugênio Leite 218 (Casa Goia) – Pinheiros.

3 – Gastronomia acompanhada de vinho e limoncello

Imagina uma aula de gastronomia mão na massa, cada aluno na sua bancada (pia, fogão, utensílios e ingredientes), professor italiano e tudo isso regado a um bom vinho!

Você não está na Itália, mas o chef Giuseppe Gerundino faz você se sentir lá.

O melhor, não precisa saber cozinhar para participar das aulas que variam de workshops sobre temas específicos até cursos mais longos. O aluno aprende técnicas para manipular ingredientes e realizar receitas, com demonstrações teóricas e práticas. Ao final de cada aula, uma degustação dos pratos, acompanhados de vinho e do limoncello artesanal da casa.

O espaço é totalmente equipado e dedicado à arte de cozinhar e possui a Espaço Escola e Espaço Gourmet e também um delicioso terraço.

Foto: Accademia Gastronomica
Foto: Accademia

Onde: Accademia Gastronomica – Rua Inhambu 1126 – Moema

4 – Escola de Baristas, laboratório de sensações

Isabela Raposeiras, vencedora do primeiro Concurso Nacional de Barismo do Brasil, Mestre de Torra e Q Grader (certificação internacional de degustação de cafés especiais), idealizou o Coffee Lab: uma escola de baristas e uma cafeteria especial.

O aroma de café, logo na calçada, convida até os menos entendidos a viver a experiência do local. Ali é possível ver o café sendo moído na hora.

É impossível não querer participar de um dos cursos: técnicos para profissionais (baristas, profissional em degustação de cafés especiais, mestres de torra por perfil, técnicos de latte art e de formulação de drinks com café) ou apenas divertidos para os amantes que desejam reproduzir as técnicas que levam a uma excelente xícara de café.

Foto: Coffee Lab
Foto: Coffee Lab

OndeCoffee Lab – Rua Fradique Coutinho 1340 – Vila Madalena

5 Somelier e Educação Cervejeira

No Instituto da Cerveja, a 1ª escola de Sommelier de Cervejas do Brasil fundado em agosto de 2010, a loura saiu das mesas dos bares e foi para as mesas de estudo.

Lá é possível fazer diversos cursos: Sommelier de Cervejas, Introdução ao Universo de Cervejas Especiais, Especialização em Harmonização, Workshop Avançado de Lúpulo, Análise Sensorial e Off-Flavor, além de uma especialização exclusiva: Mestre em Estilos®.

Os sócios e os professores estão entre alguns dos maiores nomes do mercado cervejeiro atual. O assunto é coisa séria, e as aulas acontecem em uma casa de dois andares com uma ótima estrutura e claro, um bar temático para aquele brinde entre alunos.

Foto: Instituto da Cerveja
Foto: Instituto da Cerveja

Onde: Instituto da Cerveja – Avenida dos Carinas 417 – Moema

6 – A Escola da Vida para adultos – é possível viver melhor e ter uma vida mais plena

A The School of Life se dedica a desenvolver inteligência emocional através da cultura e boas ideias para o dia a dia, explorando temas como trabalho, amor, sociedade, família, cultura e, principalmente, o auto-conhecimento. De filosofia à literatura, psicologia à artes visuais – uma variedade de idéias vão estimular provocar, nutrir, alegrar e consolar.

Com metodologia própria, são aulas, cursos intensivos, oficinas e conversas de domingo. Toda a programação acontece na simpática Casa Neo10, um espaço super acolhedor.

Foto: The School of Life
Foto: The School of Life

OndeThe School of Life – Rua Medeiros de Albuquerque, 60 (Casa Neo 10) – Vila Madalena.

Foto destaque: The School of Life (São Paulo)

E ai gostou da nossa sugestão cheia de tempero?

Dicas para Viagens Longe e Perto


Por Carla Caldas

Olá! Sou a Carla Caldas e hoje estou me apresentando oficialmente como Colaboradora do Coletivo Tropical.

Foto: Carla Caldas
Foto: Carla Caldas

Engenheira e marqueteira de formação, com carreira de executiva em grandes multinacionais. Carioca de carteirinha mudei para São Paulo em 2003, casei com um paulista e por aqui fiquei. A paixão por viagens me levou a escrever o blog Longe e Perto.
Aqui no Coletivo terei o prazer de compartilhar com vocês as minhas vivências de viagens e também dicas do dia a dia de quem mantém o espirito curioso dos viajantes em sua própria cidade.

Acredito que viajar é um estado de espírito, é estar aberto para ao novo, para coisas simples e belas que simplesmente nos transportam para um lugar especial.
Para começar vou dividir algumas dicas que fui aprendendo com o tempo e também com meus sufocos já vividos mundo afora.

Se você vai para Longe, anota aí:

• Seu passaporte, sua vida.

Somente quem já perdeu um passaporte no exterior sabe o transtorno que é.
Por isso minha dica prioritária: cuide do seu com muito carinho.

Eu sou adapta de bolsa na cintura. O look às vezes não fica tão charmoso por conta da barriguinha, mas tudo bem, o que vale é ter segurança. Algumas pessoas preferem o cofre do hotel. Opção pessoal, o importante é estar sempre em lugar seguro.
Mantenha uma cópia na mala ou nos arquivos do celular e outra com alguém no Brasil. Você nunca sabe quando poderá precisar.

Se nada funcionar e perder o documento do mesmo jeito, vá ao Consulado do Brasil. Foi assim que resolvi meu problema.

• Verifique com antecedência todos os documentos necessários para seu embarque:

Quais documentos (passaporte, vistos, vacinas…) são obrigatórios para entrada no destino?

Qual a validade do seu passaporte? Você sabia que alguns países exigem período superior a seis meses?

Outros, como a Argentina, aceitam apenas a carteira de identidade. Porém, muitas vezes algumas pessoas utilizam carteiras de associações ou de motoristas como identidade e nesse caso elas não serão aceitas.

Por isso, evite surpresas: separe tudo para não esquecer nada no dia. Quem ai já viveu o sufoco de chegar ao aeroporto sem passaporte?

• Outros documentos (Reservas de hotel, tickets de passeios, moedas estrangeiras,vouchers de reserva de carro).

O mesmo raciocínio é válido. Confira antes, deixe tudo organizado onde for mais conveniente (impresso em pastas ou em arquivos digitais). O importante é estar acessível no momento necessário.

Como sugestão, também deixe sempre uma cópia com alguém quando for viajar. Nunca se sabe quando algo vai acontecer e vão precisar encontrar você.

• Cartão de crédito

Antes de viajar, entre em contato com a central e inclua o Aviso de Viagem, informando o destino e o período . Esse procedimento evitará bloqueio devido a sua mudança de padrão de consumo. Acreditem constrangimento puro ter que devolver para as gôndolas suas comprinhas que levaram um tempão para serem escolhidas e explicar para o vendedor porque seu cartão não foi aceito.

Verifique os benefícios oferecidos (Ex: Sala Vips em aeroportos, concierges para reservas, descontos, seguros (vida e auto)). Geralmente o seguro só é valido para o titular do cartão com o qual a passagem foi comprada. Portanto vale pagar cada passagem no cartão do respectivo viajante e aproveitar o benefício do seguro.

• Acumule milhas – Acredite é possível!

Tenha um programa de milhas prioritário.
Use seu cartão de crédito para impulsionar a pontuação. Concentre seus gastos do dia a dia (gasolina, supermercado.), uma forma de ter controle e visibilidade e de aumentar o acúmulo de milhas.

Se não viaja com frequência, o cartão de crédito e outros programas de fidelidade poderão ajudar você a viajar sem o custo das passagens aéreas.

• Viaje leve

Use malas pequenas e de quatro rodinhas!

Lembre-se que em muitos lugares você precisará carregar sua mala e não vai gostar de ficar arrastando peso nos aeroportos e estações de trem mundo afora.
Acredite, você nunca usará todas as roupas que levou. Aposte nas cores neutras e nos acessórios. Viaje confortável.

Personalize sua mala, isso ajudará na identificação. Vale pendurar: fita colorida, etiqueta com seu nome, capa protetora ou qualquer outro elemento que faça você não confundir sua mala com as irmãs de mesma cor.

E lembre-se de pesar antes de ir para o aeroporto, assim evitará surpresas com excesso de peso.

Em alguns países não é permitido compensar o peso de uma mala com a outra. Ou seja, se seu limite são duas de 20 KG, não adianta levar uma com 30 kg e outra com 10 Kg. Já vi muita gente tendo que abrir mala no momento do check-in.

Uma boa alternativa é comprar uma balança de mão, daquelas pequenas fáceis de ser encontradas em lojas de variedades.

• Seguro de Viagem

Seguro morreu de velho! É sempre bom ter.

Não vai viajar para Longe? Que tal manter o espírito viajante na sua própria cidade?
• Mantenha o hábito de pesquisar as novidades
Pesquisar as atrações turísticas disponíveis e eventuais eventos acontecendo durante o período de sua visita deve ser uma prática de todo viajante. Blogs, sites e redes sociais são ótimas fontes de inspiração. Já pensou perder o show do seu artista preferido que estivesse fazendo uma apresentação gratuita em algum parque próximo apenas porque você não estava informado? Grandes feiras e exposições também movimentam as cidades. Não deixe de acompanhar e colocar esses programas na sua agenda, mesmo sendo morador do local.

• Conheça os principais pontos turísticos

Sim, tire um dia para visitar os pontos turísticos. Você poderá ser surpreendido.

• Tenha uma meta de lugares novos a serem visitados

Siga as palavras de Dalai Lama: “Uma vez por ano vá a algum lugar onde nunca esteve antes.”.

Que tal incluir em suas metas pessoais conhecer lugares novos na sua cidade ou no seu bairro? Restaurantes, parques, museus, lojas.

• Tenha parceiros de aventuras

Você pode ter uma meta em comum com um amigo, filho. Acredite pode ser divertido. Certa vez montei com meu marido um sistema de pontuação para quem sugerisse lugares novos para visitação.

• Não tenha vergonha

Tire fotos, pergunte as curiosidades, pesquise a história. Turistar na própria cidade é divertido e bem mais barato.

BOA VIAGEM e até a próxima!!