Nosso drink com cerveja para esse verão

Por Mirella Camargo

Início de ano é tempo de férias, época de curtir uma praia e a estação mais tropical do ano: o verão!

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Foto: Mirella Camargo

Quando se fala em verão e calor, pensamos logo em tomar uma cerveja estupidamente gelada. Mas você sabia que também é possível criar drinks com cerveja?

Não é uma bebida muito comum nas cartas de drinks dos bares por aí, mas sim, é possível brincar com a cerveja e misturá-la a outras bebidas e ter um resultado fantástico. Geralmente vemos drinks à base de vodka, whisky, gin, cachaça, mas hoje é dia de aprender a fazer um “Beer Buster”.

Neste drink vamos juntar cerveja, vodka e pimenta. Sim, pimenta!! As bebidas devem estar bem geladas para ter um resultado perfeito. Apesar de apimentado, o Beer Buster é um drink super refrescante. Você praticamente não vai notar a presença da vodka, a não ser pelo fato do teor alcoólico que vai fazer você dar umas risadinhas em poucos minutos. Já a pimenta, esta sim já notamos no primeiro gole, mas sem exagero, em um equilíbrio perfeito.

Dica do amor ❤

Além da cerveja bem gelada, é importante que a vodka usada no drink esteja armazenada no freezer para que o drink não perca a temperatura ideal. Aqui em casa a vodka mora no freezer, sempre!

Ingredientes:

  • 35ml de Vodka gelada (o ideal é que a garrafa esteja no freezer)
  • 3 gotas de pimenta Tabasco
  • 350ml de cerveja Larger ou Ale bem gelada
Como preparar:

Em uma caneca de chopp, misture a vodka com a pimenta. Gentilmente complete a caneca com a cerveja e sirva. É só isso! Ah! Lembre-se: por ser apimentado e gelado, este drink pede um bom petisco para acompanhar.

E você? Já tentou fazer algum drink com cerveja? Conte para nós o resultado!

 Saúde! 😉

Receita: Ultimate Bar Book by Mittie Hellmich – Ed. Chronicle Books
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Drinks para mulheres. Isso existe? | #mulheresnobalcão

Por Chris Menezes

Foto: Sex and City
Foto: Sex and City

Quantas e quantas vezes você já não ouviu dizer que mulher prefere bebida docinha? Ou que preferimos drinks mais fraquinhos e com pouco álcool? Tenho certeza também que você já deve ter passado pela situação do garçom servir teu drink para seu acompanhante, enquanto você recebia o suco do rapaz.

É, meninas, o mundo ainda é um lugar pouco acolhedor para mulheres que gostam de beber.

Ok, a ciência afirma que o corpo feminino tem menor tolerância ao álcool, por ter menos enzimas ADH e ALDH que o masculino. Mas isso nos faz obrigatoriamente bebedoras de bebidas doces, fracas ou suaves? Claro que não. Isso só nos fará ter mais ressaca se exagerarmos na dose.

Colocando de lado a questão fisiológica, entramos no campo do subjetivo, do gosto pessoal. Um campo livre pra todo mundo e não deveria ter a ver com gênero. Entretanto, é justamente aqui que aflora o grande monstro da estereotipagem. Já vi post escritos por mulheres, classificando que apreciadoras de cerveja são assim, as de vinho são assado… hahahaha! Chegam até ao requinte de associar a bebida a um tipo específico de homem, que essa mulher tenderia a preferir.

O cinema e a TV contribuíram para reforçar alguns esteriótipos. Foi assim com o Cosmopolitan em Sex and the City x Martini de James Bond ou o Old Fashioned de Don Draper x Gimlet de Betty Draper. Todos drinks de altíssimo teor alcoólico, nos quais a indústria tratou de embutir conceitos de delicadeza x virilidade, que sabemos não ter nada a ver.

Então, respondendo à pergunta do título desse post: não existem drinks para mulheres. Existe uma infinidade de opções e preferências pessoais.

Eu, por exemplo, gosto de bebidas fortes, com toques amadeirados e cítricos. Mas tenho uma grande amiga, excelente companheira de copo, que torce o nariz para os meus Negronis, afirmando serem fortes demais. Ela curte drinks com frutas e muito gelo, servidos em copos longos. E ainda tenho outra que prefere drinks com toques defumados.

Vamos parar de colocar rótulos (ok, amiguinhos?) e vamos beber o que nos dá vontade. Cheers!

Os Melhores Bares do Mundo

Por Chris Menezes

2016 já tem a sua lista de 50 melhores bares do mundo.

Central Station de Beirute
Central Station de Beirute

Infelizmente, o Brasil nem chegou a entrar na disputa, que só contou que 3 bares da América Latina, entre eles nossa querida Floreria Atlântico.

O grande vencedor foi o The Dead Rabbit de Nova York, que há anos não saia da segunda posição. Já o Artesian, que durante 4 anos ocupou o posto mais alto não constou nem entre os 50 melhores, caindo pra lista dos 51-100 na 54ª posição. O motivo? A debandada do staff estrelado como Alex Kratena e Simone Caporale.

The Dead Rabbit Bar
The Dead Rabbit Bar

Outras novidades interessantes constam na lista como, por exemplo, o Central Station (nº 26) de Beirut e o Lost & Found de Nicósia, no Chipre, que subiu seis posições desde o ano passado.

Para conferir a lista completa, acesse o site oficial da premiação.

Bartenders que amamos: Alex Mesquita

Por Chris Menezes

Esse mixólogo carioca (e garboso) respira, exala e inspira coquetelaria. Ex-modelo e jogador de futebol, Alex chegou a encarar a faculdade de medicina, mas foi na mixologia que encontrou sua paixão e realização pessoal.

Foto: Alex Mesquita
Foto: Alex Mesquita

Sentar num balcão do Alex é sempre um prazer, mas trocar uma ideia com ele é um privilégio, não só pelo papo sempre divertido, mas por sua alegria contagiante. Confere aqui:

CT: Se você pudesse ter inventado um coquetel, qual seria?

Chris, vou fugir de todas as respostas mais óbvias de coquetéis com gin, com vermute… eu gostaria de inventar um cocktail com gás, pois as pessoas fazem muito poucos coquetéis com gás. Estou estudando uma teoria de gaiseficação bem interessante, mas pra cocktails que são feitos com mezcal, por exemplo, com tequila…que são coquetéis que tem tudo para serem secos, mas que com a carbonatação, desde que com um mínimo de acidez ou agentes cítricos, ficam bem interessantes. Imagina o perlage de um champanhe estourando na boca como uma flor de sabugueiro, que é da família da lichia, mas não é tão doce, por exemplo.

Enfim, esse seria meu desafio. Não um coquetel engarrafado, um coquetel industrializado e bem feito. Eu adoraria fazer isso.

Um gin, por exemplo, com ingredientes brasileiros. Um gin com priprioca, com puxuri, com jabuticaba…sai da casinha, né? Não só incolor. Podia ter um pouco de cor. O Safron, por exemplo, é aquele cobre, bonito, tem um alaranjado. Por que o gin tem que ser London Dry Gin sempre? Taí o Hendrick’s, feito na Escócia, com pepino, pétalas de rosa, hibiscos…por que não? Eu adoraria fazer isso.

CT: Na sua opinião, qual o coquetel mais tropical que existe?

Mai Tai, total. Dois tipos de rum, abacaxi, bem frutado, um limão cítrico de boa qualidade, Angostura, Cointreau e amêndoas. Pô, tem tudo a ver com o Brasil. Tudo a ver.

Me falaram outro dia: “e se a gente tirar a amêndoa e fizer um xarope bem feito de cardamomo?”. Puta que pariu! Vai ficar incrível também.

CT: E não tem nenhuma castanha legal, tipo aquela de Baru?

Bom, aí a gente vai conferir intensidade no coquetel e ele pode ficar doce e esquisito de sabor. O xarope de amêndoas é mais fluído, ele se dissolve mais e aí você traz toda uma percepção bem frutada.

O Daiquiri também (é tropical). Baseado nessas receitas, na receita de Davi Cordoba, quando bem feito é excelente. Bom, um Daiquiri, por exemplo, de… a gente falou em pitanga, né? Então, um Daiquiri com uma boa pitanga macerada e uma dupla coagem, para não ter a imperfeição do bagaço, fica excelente. Excelente! Frio, 7/8 graus, bem batido na coqueteleira, gelo bom, sem ser aguado. Um Daiquiri de frutas. Pronto! Um Daiquiri de manga, de pêssego, de kiwi,…não importa a fruta, tem que ter 2 oz. de rum, 2 bailarinas de açúcar, receita clássica. Se deu certo em 60, por que não vai dar certo agora?

CT: Se tivesse esse poder, quem você traria de volta ao mundo para tomar um drink contigo?

Putz, vou me emocionar aqui. Fabián Quiroga, dono da Universidad del Cocktail, que me ensinou boa parte das coisas que sei hoje. De Marketing até o como lidar com as pessoas, e eu tive poucas aulas com ele. Era de Buenos Aires e me recebeu de braços abertos.

CT: E conta pra gente como foi isso de você ter sido jogador de futebol e depois modelo…

Tentei! Risos… futebol, joguei futebol. Chris, nada dava certo na minha vida. Risos. Foi por influência do meu pai, que queria que eu fosse doutor ou jogador de futebol. Eles queriam já aquela independência financeira pro filho, sem saber o que o filho queria né? Minha família é do Nordeste, de Fortaleza. Hoje, a gente vive bem, pacificamente, mas na época que fui pra Argentina, meu pai me “deserdou”, fiquei um ano sem falar com meu pai.

O futebol foi por uma questão de que eu sempre fui muito atleta, né? Não parece pelo corpinho que eu tenho hoje…risos. mas sempre fui muito atleta. Eu fiz futebol de salão, joguei basquete, jogava vôlei de praia todos os sábados… pô, eu tinha 9% de gordura no corpo. Me machuquei, fiquei mais um tempo sem jogar, operei o joelho…tive um acidente de carro, precisei botar parafuso na bacia. Aí o médico trouxe as chuteiras embaladinhas pra mim, ou seja, never more.

E aí a questão de Buenos Aires (se referindo a sua formação), foi por ter visto filmes como “Cocktail”. O culpado foi o Tom Cruise, falo isso pra todo mundo. Se encontrar com ele aqui, vai escutar uns bocados.

CT: E vem cá, o que é paixão pra você?

Meu trabalho 100%. Eu sou muito egoísta com meu trabalho, e sou muito egoísta com a criação, né? Muita gente reclama, muita gente próxima, né? Diz que sou egoísta com meu trabalho. Não sou egoísta, pelo contrário, eu ajudo todo mundo, e isso não é ser egoísta. Eu foco muito no que eu sei fazer e não sei fazer outra coisa, Chris. É muito difícil…porque algumas pessoas não entendem, minha família não entende… mas meu filho já entende.

CT: Defina coquetelaria em uma palavra:

Paixão. Minha paixão é essa. Eu adoro servir as pessoas. Adoro ajudar. Sou capaz de ver uma pessoa no bar da esquina dizendo “minha caipirinha tá uma merda, me ajuda?” e vou lá ajudar. Por que não vou fazer isso?

Por isso eu também conquistei coisas extras na profissão e não refiro à premiação. Tô falando de carinho, respeito, atitude…

CT: Pra fechar, qual a frase inspiradora que você vai deixar pra gente?

Aaaah! Eu tenho uma frase do meu amigo Marcio Silva, que é “vem comigo que no caminho eu te explico”. É muito subjetivo, né? Mas é também “senta aqui que você pode ter uma experiência incrível”.

Alex, obrigada! Prazer gigante ter esse papo contigo.

6 drinks para você curtir nas telonas

Por Chris Menezes

MM - Quanto mais quente melhor (Ashton Productions Inc. - 1959)
MM – Quanto mais quente melhor (Ashton Productions Inc. – 1959)

Sempre que penso em cenas de cocktails em filmes, me vem à cabeça aquela atmosfera noir, cheia de fog e o glamour dos anos 40. Sim, é uma bobagem, mas é quase inevitável não lembrar do Bogart e seu indefectível trench coat. Para mostrar que estou errada e drinks e cinema andam lado a lado na trilha do glamour, independente da década, seguem seis tragos que fizeram história nas telonas.

Casino Royale – Vesper Martini

Essa é quase fácil, né? Todo mundo sabe que o agente secreto mais famoso do mundo prefere seu Dry Martini shaken, not stirred. Mas o que pouca gente sabe é que a frase aparece, pela primeira vez, no livro Casino Royale de 1953 quando Bond dá a receita – three measures of Gordon’s Gin, one of vodka, half a measure of Kina Lillet. Shake it very well until it’s ice-cold, then add a large thin slice of lemon peel.

O cocktail passou, então, a ser chamado de Vesper Martini, em referência à Vesper Lind, bond girl da vez. A versão difere do Dry Martini, até então, o drink de escolha de Bond por usar tanto vodka e gin, substituir o vermute por Kina Lillet e a azeitona pela casca de limão.

Quanto mais quente melhor – Manhattan

Manhattans…o que dizer sobre eles, além de S2, S2, S2? Porque, né? Whisky, vermute doce, Angostura e cereja ao marrasquino é uma mistura bombástica, cheia de vida e pra lá de sensual e alegre, exatamente com a gracinha da Sugar Kane, imortalizada pela loura mais sexy do mundo.

O Poderoso Chefão 2 – Banana Daiquiri

Os brutos também amam e bebem drinks exóticos. Quem diria que um mafiosão – va benne – fosse sentar num café e pedir um inusitado Banana Daiquiri??? O drink com base de rum, facilmente encontrado na carta de qualquer cadeia de bares americana, é bem refrescante e tropical. Já a cena vale pra suspirarmos com um Pacino novinho e lindo!

Big Lebowitz – White Russian

O Dude afoga suas angústias em litros e litros do drink que mistura vodka, licor de café (Kahlua ou Tia Maria) e creme fresco. Numa das cenas, o personagem aparece preparando a receita com creme em pó, o que dá um pouco a medida de sua confusão mental.

Miami Vice – Mojito

Esquece a canastrice do Colin Farrell e pensa apenas que ele foi levado de barco pra Havana conhecer o drink, ao som de One of these mornings do Moby. Eu, que já gosto bem de um Mojito, fiquei aqui morrendo de inveja!!!

E vocês? Lembram de mais algum drink notável das telonas? Então, compartilha com a gente aqui nos comentários.

Foto de destaque: MM – Quanto mais quente melhor (Ashton Productions Inc. – 1959)

Drinks para amar: Famiglia Negroni

Por Chris Menezes

Se tem uma família nessa vida por quem nutrimos o mais verdadeiro amor é a do Negroni. Porque é daquelas que a gente nem precisa esperar o domingo à tarde pra se encontrar. Basta um olhar mais atento à carta de drinks de seus bares preferidos e você encontrará um ou outro primo do Negroni por ali.

Não saberia reconhecê-los?
Sem problemas, o Coletivo está aqui pra te ajudar!

Americano

Uma versão mais doce e suave do Negroni, que leva Campari, vermute doce e club soda, é aquele tipo de drink que pega e você nem sente.

Americano
Foto: Chris Menezes

Criado no lendário Cafe Campari chamava-se “Milan-Torino” em função da mistura Campari (original de Milão) e vermute (Turino). Mas por ter caído no gosto de americanos expatriados na Itália, o cocktail logo foi rebatizado de Americano. É um aperitivo clássico, servido como drink, mas também uma forma de abrir o apetite para uma refeição.

Boulevardier

Talvez seja o primo mais famoso do Negroni, que substitui a dose de gin por 1 ½ dose de Bourbon, dando uma quebrada não só no sabor, mas também na simetria perfeita dos ingredientes da fórmula original.

Boulevardier
Foto: Chris Menezes

O drink foi criado no Harry’s Bar de Paris no final dos anos 1920 para o escritor e socialite americano Erskine Gwynne, que editava a revista The Boulevardier, daí seu nome. É um cocktail cheio de glamour e personalidade.

Old Pal

Taí um cocktail que merecia mais espaço em nossos balcões. Por terem uma composição muito similar, o Old Pal acaba sendo ofuscado por seu primo mais velho, o Boulevardier. A diferença entre eles está basicamente na utilização do whisky canadense e dry vermouth, que conferem ao Old Pal um sabor mais seco e picante.

Foto: Chris Menezes
Foto: Chris Menezes

Atualmente, alguns bares oferecem o New Pal, uma releitura bastante interessante do clássico, que leva Peychaud’s e Absintho em sua receita, com rhye whisky e vermute doce.

Negroni Sbagliato

A história desse drink é tão maravilhosa quanto seu sabor. Numa noite qualquer no Bar Basso de Milão, um bartender se confundiu e trocou o gin por Prosecco. Nascia ali uma de nossas versões preferidas, o Negroni Sbagliato que numa tradição livre, significa “Negroni Errado”.

Negroni Sbagliato
Foto: Chris Menezes

Clássico, leve e perfeito para dias e noites mais quentes.

White Negroni

É o primo mais diferenciado e não menos interessante. Leva gin, Lillet Blanc (aperitivo licoroso francês) no lugar do vermute doce, o que confere uma suavidade floral à receita, e Suze (bitter também de origem francesa) no lugar do Campari, resultando num coquetel cheio de personalidade e presença.

White Negroni
Foto: Chris Menezes

É ou não uma família pra se fazer parte? Muita riqueza, né?

Depois conta pra gente aqui nos comentários qual foi seu escolhido na próxima ida ao bar. Queremos muito saber! 😉