A Vida Coletiva: crônica

Por Lu Moreda

Foto: Lu Moreda
Foto: Lu Moreda

Uma das maravilhas de trabalhar em produções cinematográficas é experimentar diariamente o quão brilhante e genial você pode ser por ter uma ideia, e o quão medíocre ela pode se transformar, caso não seja executada com o mesmo brilhantismo e paixão por toda a equipe envolvida.

Trabalhar com o propósito de emocionar não é fácil. Dar vida a uma história, passa por muitas mãos e, no fim, seu sucesso ou fracasso será compartilhado por todos que a fizeram.

Gosto de pensar que a vida é como um filme: uma história construída a muitas mãos com o objetivo de emocionar alguém. O corpo? Assim como o rolo do filme ou o hd, o corpo seria simplesmente uma mídia de transporte, um veículo com prazo de validade para transmissão de um conteúdo eterno.

A medida que os anos passam, sinto-me um fragmento de vidas, mãos, laços, histórias. Sou minha mãe tocando Schubert ainda grávida. Sou meu professor de Biologia explicando a respiração celular. Sou minha melhor amiga casando com um estelionatário. Sou o amor que minha avó colocava em cada almoço servido aos domingos. Sou meu irmão envergonhado na praia por expor sua pinta à la Angélica. Sou meu avô gritando em casa após umas taças de vinho. Sou meu marido emocionado com o crespúsculo de Itaipava. Sou minha melhor amiga sentindo a morte precoce de seu pai.

Claro! Eu sou o que muitos viveram ao meu redor. E assim como um frame de um longa metragem, o que vivi deixa de ser exclusivamente meu e torna-se mais uma minúscula, porém essencial, peça nesse quebra cabeça que nos une.

Lembram que fiz a metáfora do corpo como mídia de transporte? Então, se através dele transportamos nossa vida, esse laço de histórias materializa nossa existência. Por isso, é preciso ter respeito, cuidado e muito amor com esta frágil jornada.

Quanto a essa necessidade moderna de viver o “eu” e todo este pacote semântico no singular, eu tô fora! Não há razão para viver um mundo no singular quando o nosso oxigênio é o coletivo.

Portanto, vamos coletivar!

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2 comentários em “A Vida Coletiva: crônica

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