Bartenders que amamos: Alex Mesquita

Por Chris Menezes

Esse mixólogo carioca (e garboso) respira, exala e inspira coquetelaria. Ex-modelo e jogador de futebol, Alex chegou a encarar a faculdade de medicina, mas foi na mixologia que encontrou sua paixão e realização pessoal.

Foto: Alex Mesquita
Foto: Alex Mesquita

Sentar num balcão do Alex é sempre um prazer, mas trocar uma ideia com ele é um privilégio, não só pelo papo sempre divertido, mas por sua alegria contagiante. Confere aqui:

CT: Se você pudesse ter inventado um coquetel, qual seria?

Chris, vou fugir de todas as respostas mais óbvias de coquetéis com gin, com vermute… eu gostaria de inventar um cocktail com gás, pois as pessoas fazem muito poucos coquetéis com gás. Estou estudando uma teoria de gaiseficação bem interessante, mas pra cocktails que são feitos com mezcal, por exemplo, com tequila…que são coquetéis que tem tudo para serem secos, mas que com a carbonatação, desde que com um mínimo de acidez ou agentes cítricos, ficam bem interessantes. Imagina o perlage de um champanhe estourando na boca como uma flor de sabugueiro, que é da família da lichia, mas não é tão doce, por exemplo.

Enfim, esse seria meu desafio. Não um coquetel engarrafado, um coquetel industrializado e bem feito. Eu adoraria fazer isso.

Um gin, por exemplo, com ingredientes brasileiros. Um gin com priprioca, com puxuri, com jabuticaba…sai da casinha, né? Não só incolor. Podia ter um pouco de cor. O Safron, por exemplo, é aquele cobre, bonito, tem um alaranjado. Por que o gin tem que ser London Dry Gin sempre? Taí o Hendrick’s, feito na Escócia, com pepino, pétalas de rosa, hibiscos…por que não? Eu adoraria fazer isso.

CT: Na sua opinião, qual o coquetel mais tropical que existe?

Mai Tai, total. Dois tipos de rum, abacaxi, bem frutado, um limão cítrico de boa qualidade, Angostura, Cointreau e amêndoas. Pô, tem tudo a ver com o Brasil. Tudo a ver.

Me falaram outro dia: “e se a gente tirar a amêndoa e fizer um xarope bem feito de cardamomo?”. Puta que pariu! Vai ficar incrível também.

CT: E não tem nenhuma castanha legal, tipo aquela de Baru?

Bom, aí a gente vai conferir intensidade no coquetel e ele pode ficar doce e esquisito de sabor. O xarope de amêndoas é mais fluído, ele se dissolve mais e aí você traz toda uma percepção bem frutada.

O Daiquiri também (é tropical). Baseado nessas receitas, na receita de Davi Cordoba, quando bem feito é excelente. Bom, um Daiquiri, por exemplo, de… a gente falou em pitanga, né? Então, um Daiquiri com uma boa pitanga macerada e uma dupla coagem, para não ter a imperfeição do bagaço, fica excelente. Excelente! Frio, 7/8 graus, bem batido na coqueteleira, gelo bom, sem ser aguado. Um Daiquiri de frutas. Pronto! Um Daiquiri de manga, de pêssego, de kiwi,…não importa a fruta, tem que ter 2 oz. de rum, 2 bailarinas de açúcar, receita clássica. Se deu certo em 60, por que não vai dar certo agora?

CT: Se tivesse esse poder, quem você traria de volta ao mundo para tomar um drink contigo?

Putz, vou me emocionar aqui. Fabián Quiroga, dono da Universidad del Cocktail, que me ensinou boa parte das coisas que sei hoje. De Marketing até o como lidar com as pessoas, e eu tive poucas aulas com ele. Era de Buenos Aires e me recebeu de braços abertos.

CT: E conta pra gente como foi isso de você ter sido jogador de futebol e depois modelo…

Tentei! Risos… futebol, joguei futebol. Chris, nada dava certo na minha vida. Risos. Foi por influência do meu pai, que queria que eu fosse doutor ou jogador de futebol. Eles queriam já aquela independência financeira pro filho, sem saber o que o filho queria né? Minha família é do Nordeste, de Fortaleza. Hoje, a gente vive bem, pacificamente, mas na época que fui pra Argentina, meu pai me “deserdou”, fiquei um ano sem falar com meu pai.

O futebol foi por uma questão de que eu sempre fui muito atleta, né? Não parece pelo corpinho que eu tenho hoje…risos. mas sempre fui muito atleta. Eu fiz futebol de salão, joguei basquete, jogava vôlei de praia todos os sábados… pô, eu tinha 9% de gordura no corpo. Me machuquei, fiquei mais um tempo sem jogar, operei o joelho…tive um acidente de carro, precisei botar parafuso na bacia. Aí o médico trouxe as chuteiras embaladinhas pra mim, ou seja, never more.

E aí a questão de Buenos Aires (se referindo a sua formação), foi por ter visto filmes como “Cocktail”. O culpado foi o Tom Cruise, falo isso pra todo mundo. Se encontrar com ele aqui, vai escutar uns bocados.

CT: E vem cá, o que é paixão pra você?

Meu trabalho 100%. Eu sou muito egoísta com meu trabalho, e sou muito egoísta com a criação, né? Muita gente reclama, muita gente próxima, né? Diz que sou egoísta com meu trabalho. Não sou egoísta, pelo contrário, eu ajudo todo mundo, e isso não é ser egoísta. Eu foco muito no que eu sei fazer e não sei fazer outra coisa, Chris. É muito difícil…porque algumas pessoas não entendem, minha família não entende… mas meu filho já entende.

CT: Defina coquetelaria em uma palavra:

Paixão. Minha paixão é essa. Eu adoro servir as pessoas. Adoro ajudar. Sou capaz de ver uma pessoa no bar da esquina dizendo “minha caipirinha tá uma merda, me ajuda?” e vou lá ajudar. Por que não vou fazer isso?

Por isso eu também conquistei coisas extras na profissão e não refiro à premiação. Tô falando de carinho, respeito, atitude…

CT: Pra fechar, qual a frase inspiradora que você vai deixar pra gente?

Aaaah! Eu tenho uma frase do meu amigo Marcio Silva, que é “vem comigo que no caminho eu te explico”. É muito subjetivo, né? Mas é também “senta aqui que você pode ter uma experiência incrível”.

Alex, obrigada! Prazer gigante ter esse papo contigo.

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