Destino repetido não completa o mapa-múndi

Por Raphaella Perlingeiro

Foto: Raphaella Perlingeiro
Foto: Raphaella Perlingeiro

Penso assim: são tanto os tipos de viajantes, quantos somos em indivíduos. Cada viajante é único e cada uma de nossas viagens também. Por outro lado, é tão interessante ver certos comportamentos sendo reforçados e repetidos de tempos em tempos.

Do nada um destino esquecido vira um queridinho. Eu vi isso com a Turquia e com Malta, por exemplo. Já aquele que era super desejado e ostentado passa a ser uma breguiçe só. É como a moda. Tudo muda de uma estação para outra.

Até a maneira de relatar as viagens começa a ganhar pontos de afinidades entre a boca de um e outro viajante. Começamos, por exemplo, a contar os países, como se cada um deles fosse uma honraria ao nosso currículo. É bem interessante (eu acho), quase sociológico!

Mas voltando aos tipos, existem dois perfis de viajantes que tenho observado muito. Eles são bem opostos. Comparo-os a dois tipos clássicos dos nossos queridos “boys magias”. É, a gente gosta deles! Agora se preparem. Eu vou generalizar e vou estereotipar. Por favor, não se revoltem. Isso é apenas uma brincadeira. Na realidade, eu me identifico com os dois tipos e acho devemos encontrar um equilíbrio entre os dois.

Viajante “one night stand– é aquele que pensa: “destino repetido não completa o mapa-múndi!” Ele está sempre entrando no mapa do TripAdvisor para ver se está mais perto de dominar o mundo. Sabe aquela parada que ele fez em Dubai antes de chegar no Japão? Conta como um destino, o que significa mais um rabisco no mapa. Uhu! Ele não está interessado em nada profundo. Uma noite basta. Ele não tem tempo para desperdiçar. Não quer aprender línguas novas, não sabe muito sobre a cultura e hábitos dos lugares. Isso seria o equivalente de um almoço de família na casa do amor da vez. E, na vida dele, só existe espaço para visitas aos pontos turísticos, para procurar umas baladas e para tirar um monte de fotos incríveis. Além disso, ele tem as melhores dicas sobre como chegar e sair rápido dos lugares. Vai dizer que isso não te lembra umas figuras que já conheceu pela vida?

Viajante “life time partner – é o viajante que se compromete integralmente com um único destino. Ele não está nem aí para o mapa-múndi! Só quer saber do seu país, nos piores casos, de uma única cidade. E ele de fato está comprometido com seu amor. Estudou sua língua, seus hábitos, seus segredos. Ele não tem nenhum problema com almoços dominicais em família. Para ele seria até uma honra. Já podemos marcar o casamento? É um viajante romântico, no sentido literário desta palavra. Logo, o seu destino será tratado como algo sagrado, que deve ser desvelado com muitos rituais e pudores. Ele não quer desbravar o resto do globo. Para ele, em verdade, o mundo é uma grande micareta. O seu desejo? Fugir dessa promiscuidade de opções na paz monotemática do seu grande amor.

Rolou uma identificação? Conhece alguém assim? Estamos esperando os seus comentários. 😉

 

Foto de destaque: Raphaella Perlingeiro

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2 comentários em “Destino repetido não completa o mapa-múndi

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