Um Dia Sem Mulheres: formas de aderir e outras questões

Por Rapha Perlingeiro e Helô Righetto

É hoje, gente!

Dia 08 de março sempre foi uma data de irritação para mim (Rapha). Essa história de ganhar flor na rua sempre me soou mais como um tapa do que como um presente.

Para Helô nem tanto. Já se irritou com os “parabéns e flores”, mas a importância do dia sempre falou mais alto. Mesmo assim, ela se lembra de estar em um shopping em São Paulo e oferecerem estacionamento gratuito para as mulheres. Sabe como é, aquele tipo de “agrado” que distorce a importância desse dia e torna a luta pela equidade algo fútil e comercial.

Eu não quero flor, quero respeito!

Mas esse ano o dia 08 está deixando a gente inspirada. Acho que isso está acontecendo com muitas mulheres – vocês estão sentido?

O crescimento do movimento feminista, principalmente pelos canais digitais, é um dos grandes responsáveis por esse sentimento. Mesmo quem nunca se auto denominou ativista agora sabe que pode usar suas redes como megafones.

E o que está acontecendo de diferente?

Nesse dia 08 de março de 2017 mulheres do mundo estarão se reunindo em uma mobilização internacional para denunciar e protestar contra todas as formas de violência praticadas contra as mulheres.

Veja o Manifesto aqui para construir a sua própria opinião.

O objetivo é ser uma continuação da marcha do dia 21 de janeiro. Aquela que começou em Washigton e acabou tendo capilaridade em várias partes do mundo também com a intenção de marcar a luta pelos direitos das mulheres.

Vocês se lembram da Marcha? Descubra mais sobre ela aqui.

Alguns mitos

A marcha quer acabar com o dia das mulheres!

A greve internacional das mulheres tem como intuito mostrar ao mundo que a desigualdade e a opressão atrasam o desenvolvimento da sociedade. O Dia Internacional da Mulher foi escolhido para dar ênfase a esse objetivo. Desconto em flores? Estacionamento gratuito? Que tal salários iguais, respeito aos nossos direitos reprodutivos, escolhas e fim da violência?

A Marcha quer resignificar o dia das mulheres.

O Dia Internacional da Mulher continua como a data em que celebramos as conquistas do nosso sexo e chamamos atenção para o tanto que ainda falta conquistar. A greve é a epítome desse sentimento.

Foto: GM8

Como eu posso aderir?

Nem todas as mulheres poderão parar de trabalhar para participar da marcha, por isso a gente fez questão de deixar marcado aqui outras formas como todas nós podemos contribuir. Vejamos:

1) Vestir vermelho – coloque sua roupa vermelha e circule pelas ruas mostrando que está fazendo parte da mobilização.

2) Não consumir – este ato que está atrelado ao fato de que o consumo realmente tem um impacto na nossa sociedade, ou seja, é uma maneira silenciosa e poderosa de mostrar a nossa presença.

3) Twitaço – é a oportunidade de fazer o famoso “ativismo de sofá” de maneira coletiva e causando impacto. Imagina, milhares de mulheres escrevendo sobre a sua solidariedade a mobilização.

Foto: Parada Brasileira de Mulheres (8M)

4) Apoie alguma projeto dedicado a mulheres – definitivamente isso terá um impacto (em qualquer dia, mas hoje será mais simbólico).

Fontes “interessantíssimas” para continuar pensando 

Sites

Conexão Feminista – é um canal do youtube que desdobrou nas outras mídias sociais. Iniciativa da Helô Righetto com a Renata Senlle. O objetivo delas é oferecer “Bate papos para desconstruir, sem romper”. Amamos esse lema! O facebook delas é incrível para se manter atualizada sobre o assunto “feminismo”.

Think Olga – é uma ONG que busca dar poder ao feminino através da divulgação de conteúdos que reflitam a complexidade das mulheres e “as trate com a seriedade que pessoas capazes de definir os rumos do mundo merecem” (maravilhoso, certo!).

Livros

Sejamos todas Feministas – Chimamanda: o manifesto de Chimamanda é quase um “guia do feminismo” para quem quer começar a aprender sobre o assunto e não sabe por onde começar.

Everyday Sexism – Laura Bates: fundadora da campanha Everyday Sexism, escreveu esse livro para mostrar o quanto o machismo está enraizado no nosso cotidiano.

Sobrevivi, posso contar – Maria da Penha: para conhecer a história da mulher que se tornou ícone na luta contra a impunidade com relação à violência doméstica.

Vagenda – Holly Baxter e Rhiannon Lucy Cosslett: baseado no blog de mesmo nome, mas que infelizmente não é mais atualizado, o livro investiga o machismo deliberado nas mídias, principalmente revistas

War on Women – Sue Lloyd Roberts: acha que as mulheres reclamam demais? Que já conquistaram tudo e feminismo é irrelevante? Leia esse livro para ter uma noção dos horrores sofridos por mulheres no mundo inteiro apenas por serem… mulheres

Men Explain Things To Me – Rebecca Solnit: conheça a origem da expressão “mansplaining”. Um dos melhores termos do universo. Explica muito. Quem nunca teve que lidar com um “mansplaining” (preguiça). 😉

Feminist Fight Club – Jessica Bennett: para saber reconhecer e enfrentar situações machistas no ambiente de trabalho.

Um teto sobre todos – Virginia Woolf: um ensaio de 1929 da autora a partir de palestras dadas em universidades sobre a condição da mulher como autora. É um texto clássico! Ela cria uma personagem, Judith Shakespeare, que seria irmã do poeta para pensar, se ela tivesse a mesma capacidade literária que ele, se atingiria o mesmo sucesso. Sensacional!

História das Mulheres no Brasil – Mary del Priore: é muito importante que a gente descubra a trajetória das mulheres no nosso país. A Historiadora Mary del Priore faz isso maravilhosamente.

I Call Myself Feminist – Victoria Pepe: olha o texto da Helô sobre o livro. Ela explica bem. 😉

Documentários

A gente espera muito que vocês tenham gostado desse texto e que ele te ajude a pensar sobre o assunto. A ler, a estudar, em especial, a formar a sua própria opinião e a expô-la sem medo, seja ela qual for.  

É isso meninas, a gente aqui vai seguir coletivizando!

Surpresa Indigesta: como lidar com nudes aleatórios no computador do boy

Por Chris Menezes

O que fazer quando você está mexendo no computador do carinha (a pedido dele, que fique claro) e se depara com um nude que não é seu?

Aconteceu comigo recentemente e vou compartilhar o passo-a-passo para sair dessa situação com dignidade. Vem comigo!

Definindo o termo “boy” 😉
  • Boy é aquele cara com quem você  já está se relacionando há um tempinho, mas não virou namorado ainda. Sem grandes compromissos assumidos, mas com um acordo implícito de, digamos, exclusividade. Isto posto, vamos ao que interessa…

1) Respire fundo e lembre é só um nude. Você não sabe a história por trás daquela imagem. Não sabe sequer há quanto tempo ela foi enviada.

2) Não entre em pânico. Se ficou muito incomodada, sai da frente do computador e vai dar uma respirada em outro cômodo, bebe uma água e respira fundo.

3) Não caia na tentação de abrir a imagem ou procurar por outras. Isso seria uma invasão de privacidade que você não quer na sua conta.

4) Não confronte o cara. Ele te deu carta branca pra mexer no computador dele. Ou seja, isso é sinal de que confia em você. E se ele tivesse algo realmente importante  pra esconder, tenha certeza de que você não estaria ali sem o devido acompanhamento.

5) Lembre-se:   o jpeg no computador não tá assistindo seriado abraçadinho com o moço no sofá (hehehehe!). Você tá.

6) Por fim, nudes são apenas nudes. Vem e vão. Você não. Você tá ali, junto, curtindo, dando risada…

Então, nada de bico e nem choro. Abstrai e vai curtir o cara, pois o que importa pra você é somente o que você está vivendo ali, naquele momento. O que passou, o que aconteceu sabe-se lá quando, como e o por quê não vai (nem pode ou deveria) mudar nada na sua relação com ele.

Mulheres que inspiram: Vivienne Westwood e seu olhar sobre arte

Por Raphaella Perlingeiro

“Vocês exteriorizam o que interiorizam. Na busca pela arte, irão descobrir a genialidade da raça humana e começarão a entender o mundo em que vivem. Isso lhe dará propósito na vida.” (Vivienne Westwood no tema ‘arte’)

Em 2011, eu assisti um documentário que me fez refletir sobre nossa relação com arte. Ele se chama “A Londres de Vivienne Westwood” (está ainda disponível na GNT Now).

O que mais me impressionou foi o olhar da estilista britânica e o valor que ela deu a nossa experiência pessoal com a arte.

Rolou uma identificação forte ali! Explico.

Vivienne Westwood é a estilista que ficou conhecida como a rainha do punk. Em Londres, é considerada como verdadeiro patrimônio da cidade. Uma mulher única, com seus cabelos de fogo e pele pálida. Ela tem uma aguda consciência política, é engajada e autora em todas suas posições e atos (valorizamos).

Loja da estilista no Chelsea de Londres (a partir de Danielfootwear.com)
Loja da estilista no Chelsea de Londres
(a partir de Danielfootwear.com)

É justamente essa mulher incrível que irá nos conduzir pelas ruas de Londres. Mas ela avisa: será uma anfitriã diferente. O objetivo dela é “encorajar as pessoas a se tornarem amantes da arte” (pronto, apaixonei!). Ela diz:

Para ela, a arte é ferramenta poderosa para nos ajudar a entender o nosso mundo, pois nos humaniza.

Diferentes tipos de arte

Westwood estabelece uma diferença entre a cultura popular, adquirida passivamente em revistas e jornais, no cotidiano e uma cultura diferente (chame de erudita ou do que quiser), que exige uma atitude ativa. É aquela que demanda o famoso ócio, que pede que a gente pare, observe, pense e construa sentido para o que enxergamos, para a vida.

Foi o momento mais genial do programa, e é o que dá sentido a lista maravilhosa de lugares que ela escolhe para visitar.

Londres entra em cena

É assim que Londres aparece no documentário. Para Westwood o diferencial da sua cidade é a arte. É o seu patrimônio artístico que a torna uma das grandes capitais culturais do mundo.

Não é genial? Agora você pergunta: como ela faz isso?

Bom, simplesmente sendo ela. Essa valorização da arte e de uma cultura mais profunda está no cerne das suas reflexões, dos seus gostos. Então, nada mais natural que assunto apareça no documentário com leveza e verdade.

Sem grandes pretensões, ela pega sua bicicleta, como todos os dias, e nos leva para conhecer a sua cidade. Nós vamos a galerias surpreendentes; ao Barbican: orquestra sinfônica; ao The Globe: teatro de shakespeariano; mercados, bairros típicos. Uma seleção sofisticada, apresentada com profundidade e descontração.

A mensagem principal

Na minha opinião, a ideia que conduz o documentário de Westwood é estimular a exposição a cultura, a arte, em especial a erudita (tão maltrada nos nossos dias). “A arte nos humaniza”. Nós precisamos dela, diariamente, para dar profundidade e refinamento a nossa existência tão efêmera.

Para ter acesso ao documentário pelo youtube, clique aqui (dublado em espanhol).

Quem assistir depois conta o que achou!
Abraços ❤

De menina ou menino? Confissões de uma mãe cansada de brinquedos divididos em gênero

Por Moema dos Reis

Foto: Pixabay
Foto: Pixabay

A maternidade tem me trazido diversas reflexões sobre preconceito, exemplos e igualdade, afinal sou responsável pelo futuro de um ser humano. No meu caso um menino, que um dia será um homem, irá se relacionar com colegas, amigos, mulheres (ou não, vai saber?) e pretendo proporcionar independência e uma visão ampla do mundo.

Uma das questões que tem me chamado atenção é a diferença entre a sessão de brinquedos de meninos e meninas, ou melhor, as mensagens subliminares e diretas que podemos observar nas diferenças.

Sempre que vou a uma loja comprar um presente de aniversário os vendedores perguntam: é pra menino ou menina? Sempre respondi a tal pergunta sem questionar e fui lá na sessão indicada por eles, mas de uns tempos pra cá, tenho parado para pensar sobre essa questão.

Por que não posso presentear um menino com um fogãozinho ou um conjunto de chá?

E tentei fazer isso. Queria dar um kit de panelinhas e comidinhas para o meu filho. Demorei a encontrar basicamente porque quase todos os artigos de cozinha, comidinhas, limpeza, carrinhos de boneca e supermercado são feitos nas cores rosa ou lilás, atribuídas às meninas. Mas espera aí… Por que não poderia comprar utensílios cor de rosa ou lilases para ele? Afinal, se não tenho preconceito com isso, qual é o problema dele brincar com as panelinhas feitas para meninas? Porque me sentiria desconfortável incentivando uma indústria que nos massacra com essas ideias de que atividades domésticas são “coisas de mulher”.

Se queremos um mundo diferente, com mais igualdade, o ideal é começar desde sempre, não é?

Então, nossos filhos não devem brincar de casinha? Devem se contentar com bonecos fortões, super-heróis, bolas e espadas? E as meninas? Devem cuidar das bonecas e afazeres domésticos? O que estamos querendo dizer com essas diferenças de brinquedos para meninos ou meninas? Mantendo a velha máxima de que lugar de mulher é em casa, cuidando da prole enquanto os homens vão desbravar o mundo, se destacar nos esportes e ficar longe das atividades domésticas?

Eu já começo a notar alguma mudança, mas muito sutil. Me parece que cada vez menos a gente se liga a essas antigas leis de brinquedo de menino ou de menina. Vejo lindas fotos no Instagram e Facebook mostrando meninos carregando bonecas no sling, levando para passear em carrinhos de bebê, fazendo comidinhas (de mentira e de verdade). Quando têm irmãos então, vira aquela mistura de brinquedos onde todas as possibilidades são exploradas.

Brinquedo é de criança, não tem gênero. Eles brincam com o que lhes parecer interessante. É ou não é?

Fora as brincadeiras em grupo, patinete, bicicleta. Mas a minha questão permanece: a cor rosa sempre vai ser da menina? Ficaremos sempre com as fantasias de princesa? E se elas gostarem do Homem Aranha, do Batman, do Incrível Hulk? Sei lá…

E daí se as meninas têm uma tendência a gostar das histórias mais fofas, a cuidar de bonecas e os meninos costumas ser mais brutos, gostam de brincar de luta, de bola e não vejo nenhum problema nisso (até que ponto isso não é cultural também não sei?).

Só queria que houvesse mais possibilidades, menos regras. Vamos deixar eles experimentarem o que estiverem a fim. Não seria bacana? Mais liberdade para a brincadeira!

Seria bacana se as indústrias de brinquedos se ligassem mais nessas mudanças e proporcionassem mais possibilidades, sem se prenderem às cores, por exemplo. Os brinquedos de madeira já são uma opção interessante. Costumam vir em cores vibrantes e variadas, sem preconceito.

Esses são os meus dois centavos de hoje. Ah! Fiquem tranquilas, podem me convidar para festas infantis que não vou desrespeitar as regras 😉

Suculentas: você também pode ter uma (e não matá-la!)

Por Helô Righetto

Nos últimos anos, as plantas suculentas tornaram-se as queridinhas da decoração. Não se sabe exatamente quando nem o por quê, mas de repente as suculentas viraram objetos de desejo. Os blogs dedicados a design de interiores têm centenas de dicas de como incorporar essas plantas em casa, e o Pinterest nos faz desejar ter uma casa maior apenas para que possamos acomodá-las.

Foto: Helô Righetto
Foto: Helô Righetto

Bom, eu também fui “seduzida” por essas plantinhas. Logo eu que nunca dei muita bola para jardinagem! Lembro que ganhei a minha primeira há alguns anos, e ela foi crescendo e ficando tão linda, que acabei adquirindo várias outras e hoje tenho um cantinho em casa – um dos mais especiais! – apenas para as minhas plantas.

Foto: Helô Righetto
Foto: Helô Righetto

Antes de eu repassar as minhas dicas para quem também quiser entrar na dança das suculentas, preciso reforçar que não sou especialista nem estudiosa do assunto. O que sei é o que aprendi sozinha. Sim, eu li alguns blogs, pedi dicas para amigas que também gostam de suculentas, fui tentando, errando e acertando. Adoraria ter mais espaço dentro e fora de casa para cultivar ainda mais plantinhas, mas acredito que como eu, muita gente não tem um casarão ou um jardim imenso para brincar de paisagismo.

Claro que a falta de espaço é um problema, mas eu sempre incentivo as amigas a encontrarem pelo menos um cantinho onde caiba um pequeno vaso.

Vale até mudar algumas coisas de lugar – até mesmo móveis – para aproveitar o espaço melhor e quem sabe acrescentar uma mesa lateral cheia de vasinhos de suculentas!

Mas vamos ao que interessa: as dicas para manter suas suculentas lindas e vivas por muito tempo, dentro de casa.

  1. Luz natural: coloque os vasos perto da janela, pois elas precisam de pelo menos 6 horas de luz natural todos os dias. Não precisa bater sol direto (aliás, sol intenso por horas seguidas pode prejudicá-las!), mas é preciso ter claridade.
  2. Água: as suculentas não precisam de muita água. Uma vez por semana (durante o inverno eu inclusive pulo uma semana vez ou outra e dou água a cada 15 dias) é o suficiente. Deixe o solo bem molhado. O fato de elas precisarem pouca água não significa que usar spray nas folhas basta! Não! Regue pouco, mas quando regar, sacie a sede delas.
  3. Vaso: como a maioria das plantas, o ideal é que você coloque as suculentas em um vasinho com furo no fundo, para que a água acumulada não apodreça a raiz. Caso isso não seja possível, coloque pedrinhas no fundo do vaso, por baixo da terra.
  4. Podagem: é sempre bom checar as folhas e retirar as mais velhas, que vão amarelando. É normal que algumas amarelem!
  5. Cor: para quem, como eu, tem apenas espaço dentro de casa para criar suculentas, escolha pelas plantas mais verdes. Quanto mais verde, mais chances elas tem de crescere, bem em um ambiente fechado. Existem algumas mais roxinhas ou acizentadas, essas se adaptam melhor em áreas externas.

Como falei lá em cima, eu só fui me encantar por cuidar de plantas nos últimos anos. Nunca conseguia fazer minhas plantas sobreviverem depois de alguns meses. Por isso, quero encorajar todo mundo que se acha um desastre da jardinagem a comprar um vasinho de suculentas.

Foto: Helô Righetto
Foto: Helô Righetto

Seguindo essas dicas básicas tenho certeza de que você verá sua planta crescer e vai querer aumentar a coleção!

Trabalho voluntário: dicas para uma primeira experiência

Por Carlas Caldas

Fonte: Pixabay
Fonte: Pixabay

Da velha benemerência às novas intervenções solidárias, o voluntário busca sua identidade. Quem pensa em aderir deve antes definir como e o porquê.  

Fonte: Folha de São Paulo – matéria de capa do Caderno Sinapse em 21 de dezembro de 2004.

O trabalho voluntário entrou na minha vida em 2002, quando comecei a dar aulas de inglês para crianças na ONG Gotas de Flor com Amor. Naquela ocasião, era executiva de uma multinacional e busquei no voluntariado outras experiências.

Foi também através do Gotas de Flor que recebi o convite para ser uma das personagens entrevistadas no jornal Folha de São Paulo, em 2004. Hoje reli a matéria nas folhas amareladas pelo tempo, porém guardadas como muito carinho.

Foto: Caderno Sinapse
Foto: Caderno Sinapse

Achei o texto tão atual que resolvi citar.

A empresa empurrou a engenheira Carla Caldas, para o voluntariado, mas de um jeito indireto. Dois anos atrás, era gerente de uma multinacional: ‘Minha função me obrigava a demitir muita gente. Chateada fui procurar uma coisa gratificante para fazer.’ Primeiro bateu na porta de duas escolas, pegou os endereços de uma campanha de TV. ‘Não fui bem recebida, não souberam me aproveitar’. Achou sua praia na ONG Gotas de Flor, que atende populações de favela. ‘Dou aulas de inglês toda semana, coisa que nunca tinha imaginado. Com essa chance de estar próxima de uma realidade diferente da minha, meus problemas ficaram menores.’

Fonte: Folha de São Paulo – matéria de capa do Caderno Sinapse em 21 de dezembro de 2004

De lá pra cá muita coisa mudou, o trabalho voluntário tomou diversos formatos, mas segue presente na minha vida até hoje.

Eu busquei o voluntariado com objetivo de ajudar o próximo, mas logo percebi que a relação é de troca, e que, muitas vezes, ganhamos muito mais do que oferecemos. Essa é a descoberta que carrego ao longo desses anos e que me faz continuar desejando voluntariar e recomendar a experiência.

Onde encontrar uma instituição confiável? Qual trabalho posso realizar?

Esses questionamentos ainda são atuais. Percebo que hoje os interessados encontram a mesma dificuldade que tive no início. A grande diferença é que atualmente temos a internet facilitando o acesso às informações.

Foto: Atados
Foto: Atados

Pensando em ajudar aqueles querem saber mais sobre o tema, conversei com o Bernardo Carvalho, responsável pelo Relacionamento com ONG’s no site Atados, uma plataforma social que conecta pessoas e organizações.

O Atados possui uma base com mais de 50 mil voluntários, a maioria de São Paulo, onde a plataforma atua fortemente. Apesar de não terem um número definitivo, acompanhando as inscrições, eles sentem que as mulheres são mais engajadas.

E o que fazer para começar?

“Nossa recomendação para quem nunca teve essa experiência é fazer algo em sua área de especialização e interesse por estar mais familiarizado. Começar com trabalhos mais pontuais, como ajudar em eventos, festas beneficentes, campanhas, por ser uma forma de conhecer uma organização ou movimento mais de perto, antes de fazer algo que exija mais comprometimento. Nossas vagas pontuais são as que têm os maiores números de inscrições.” Bernardo Carvalho – Atados.

Além do Atados, podemos encontrar vários projetos on-line que divulgam instituições. Como sugestão, farei uma ligação com o tema viagem que é a minha área.

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Já pensou em viajar para fazer trabalho voluntário?

Fazer trabalho voluntariado viajando pode ser uma experiência diferente e igualmente gratificante. No Visit Org (site em inglês) e no Volunteer Vacations (site em português) você pode conhecer experiências disponíveis em todo mundo e contratar os serviços de planejamento de viagem (Ex: contato com a ONG).

Ficou animado e quer fazer a diferença?

Saiba que você não está sozinho. Prova disso é o resultado da edição 2016 do Índice Mundial da Solidariedade (World Giving Index – WGI), estudo realizado anualmente pela Charities Aid Foundation (CAF), onde Brasil subiu 37 posições no ranking, passando de 105º país mais solidário para a 68ª posição, dentre 140 países pesquisados.

Neste ano, na pesquisa, o Brasil teve grande aumento no número de pessoas doando para organizações da sociedade civil, fazendo trabalho voluntário ou ajudando um estranho – os três aspectos medidos que compõem o WGI.

Para saber mais: um estudo completo está disponível para ser baixado em inglês pela Charities Aid Foundation.

E aí? Ficou animada? Vamos voluntariar?

O que aceitar para ser feliz?

Por Clarissa Godoy

Dizem que para sermos felizes precisamos nos aceitar, certo?

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Foto: pixabay

E até certo ponto eu concordo com isso. Aceitar que não somos perfeitos, isso definitivamente deve ser feito. Afinal, eu e você somos humanos, certo? 😉 Aqui não tem ninguém perfeito e isso é normal.

Dizem que devemos aceitar tudo que não gostamos em nós mesmos e só assim seremos felizes! Eu concordo com essa visão, mas só em parte!

Devemos aceitar tudo que é imutável!

Existem coisas que não podemos mudarEu tenho 1,56 m, sou bem baixinha, hoje isso não me incomoda mais, mas por muito tempo me incomodou. Eu posso mudar isso? Não. Então aceitei. Isso é imutável! Você não pode mudar o fato de ter perdido um ente querido, então precisa aceitar. Se você sofreu um acidente e perdeu uma perna, você precisará aceitar isso. Será doloroso, mas precisará aceitar a nova situação pra ser feliz!

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A maior parte das coisas que não gostamos podemos mudar!

Muitas pessoas são felizes acima do peso, mas tem muita gente que é extremamente infeliz. Isso é algo que pode ser modificado? Sim! Você pode ser diferente. Isso não só pode, como deve ser modificado. Por você, pela sua felicidade. Sim, você deve aceitar que hoje está em uma situação que não gosta, mas que amanhã pode ser diferente.

Medo e timidez

Uma das coisas que mais me incomodava em mim mesma era a minha timidez. Isso me bloqueava de tal forma, que vivia um sofrimento interno enorme. Ser reservado é uma coisa, é uma característica pessoal. Ser reservado não traz sofrimento. Já a tímida, muitas vezes não é reservada, mas tem dificuldade e medo  de se expressar! E se você já foi muito tímido, sabe o quanto isso é um sofrimento. Eu podia aceitar isso para o resto da minha vida? Não! Era algo que podia ser mudado. Eu sabia que podia ser diferente. Não dava para ficar sofrendo pelo resto da minha vida. E eu mudei. Não foi fácil, mas hoje me sinto bem. Uma das coisas que mais me fazem feliz foi justamente me expor, lidar com pessoas, palestrar e gravar vídeos. Olha que loucura, não?

Há uma frase de São Francisco de Assis, que diz:

“Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado. Resignação para aceitar o que não pode ser mudado. E sabedoria para distinguir uma coisa da outra.”

É isso! O que tira seu sono de noite? O brilho nos seus olhos?

Não importa se por muitos anos você foi aceitou: mude o rumo da sua vida agora! Ah! E não aceite nada menos do que merece. Não negocie com a mediocridade! A vida pode ser mais, muito mais! Você pode realizar coisas extraordinárias, se a sua mente permitir!

O que está te deixando infeliz hoje? Você pode mudar? Não? Aceite! Mas se puder? Mude! Tenha coragem!